Uma vez ouvi o Tom Zé dizer em uma entrevista que quando um amigo está no olho do furação não devemos ir até lá e resgatá-lo, pois se ele está lá é sinal que de certo forma ele escolheu estar lá. No momento que ouvi isso não concordei. Afinal, que tipo de amizade era essa que deixava o amigo na pior hora? Ainda hoje não concordo. Estar ao lado dos amigos é muito importante, tanto para ensinar quanto para aprender. Mas em partes concordo com Tom Zé... Quando estamos em uma situação complicada, triste e até mesmo desesperadora não é preciso de mais ninguém além de nós mesmos. É isso mesmo, podemos resolver tudo por nós mesmos. Precisamos tomar consciência do que acontece e porque acontece. Principalmente os sentimentos. É ótimo ter com quem partilhar nossa dor, mas existe uma grande diferença entre partilhar e validar dor e jogar dor para os outros cuidarem. A diferença está na apropriação de nossa vida. Quando nos apropriamos totalmente da nossa vida - e aí se encontram as responsabilidades, medos e desejos - conseguimos lidar e até mesmo superar a intransigente dor. Temos que dedicar especial atenção para os momentos em que queremos cuidar da dor do outro, isto é um sinal consistente de que não estamos cuidando de nós mesmos. Quero dizer com isso que ao validarmos a dor do outro estamos partilhando tal dor e é disso que precisamos... Precisamos saber que há pessoas tão maravilhosas ao nosso lado, partilhando momentos conosco. Não precisamos de pessoas que fazem tudo por nós e, deste modo, não temos a oportunidade de cuidar de nós mesmos. Como diria Nando Reis: 'Prefiro as pernas que me movimentam!'. É preciso levantar e enfrentar o que acontece no momento, desfrutando e saboreando. Não aprendemos apenas com o mel, mas com o fel também.
Angélica Martins.
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