quinta-feira, 30 de junho de 2011

Heráclito de Éfeso e o cotidiano: Nada é tudo!

Trataremos hoje sobre o Heráclito de Éfeso sob a visão de algo que ocorre constantemente em nossas vidas: momentos em que julgamos que um acontecimento é repleto de apenas uma coisa. Ou seja, quando passamos por uma situação que a consideramos de todo bom ou de todo ruim, ou todo alegre ou todo triste. Para tanto comentaremos sobre a visão dialética do mundo utilizada por Heráclito. Porém, o intuito deste blog não é propor interpretações acerca dos filósofos e psicólogos citados. Nosso objetivo é mostrar situações do cotidiano utilizando filósofos e psicólogos que nos auxiliem a exemplificar tais situações. Além de apresentar aos leitores um pouco do que cada autor expõe em seus pensamentos.

Heráclito de Éfeso é um filósofo pré-socrático que viveu por volta de 540 a.C a 470 a.C. Nasceu em Éfeso, cidade da Jônia, onde é a atual Turquia. A família de Heráclito era descendente do fundador da cidade, porém, Heráclito desprezava seus concidadãos e se recusava a participar da política. Foi um filósofo que não teve mestre e escreveu o livro 'Sobre a Natureza' de forma tão concisa que foi denominado de o Obscuro. Neste livro é exposto por Heráclito que o cosmo é uno e é criado a partir de um elemento primitivo, o fogo. Porém, iremos enfatizar a dialética de Heráclito. É dito por ele que a luta dos contrários é a geradora de seu oposto. Ou seja, é necessário que haja o bem para haver o mal, o frio para haver o calor e vice-versa. Se não houvesse um não haveria o outro. Isto é expresso mais claramente no Fragmento 88 de Sobre a Natureza: “Em nós, manifesta-se sempre uma e a mesma coisa: vida e morte, vigília e sono, juventude e velhice. Pois a mudança de um dá o outro reciprocamente.”

Ao direcionar a dialética de Heráclito para o cotidiano percebemos que em alguns momentos de nossa vida consideramos que uma situação está repleta de coisas boas ou repleta de coisas ruins. Porém, não paramos para refletir sobre o que está acontecendo conosco. Um bom exemplo disso é quando nos sentimos desafiados em alguma situação e, talvez em função da dor ou do prazer gerados por este desafio julgamos que ele é totalmente bom ou totalmente ruim. Porém, nada é tudo, pois é dito por Heráclito no Fragmento 88 que os opostos se encontram em nós. Isto ocorre conosco na prática. Exemplo disto é quando namoramos e o outro não quer ter mais se relacionar conosco. Alguns se sentem desafiados a reconquistar seu companheiro, julgando que reconquistar o outro é algo bom, pois nos trará o prazer da conquista e de não perder aquele que consideramos extremamente necessário. Porém, não percebemos que isso não é de todo bom, pois quando buscamos reconquistar o outro não percebemos que estamos perdendo a oportunidade de nos preencher de nós mesmos. Não percebemos que não estamos dando o espaço e respeitando o outro e muito pior... Não percebemos que estamos buscando manter nossa dependência emocional neste relacionamento frustrado e sem o mínimo de consciência.

É pensando a vida como uma embalagem fechada e pré determinada que nos angustiamos ou nos frustamos muito, pois os acontecimentos de nossa vida não vem apenas a favor do bem ou do mal. Mas para aprendermos algo que é necessário no momento em que acontece. Logo, paremos de julgar a vida e passemos a vivê-la a partir da compreensão de nós mesmos.


Tudo se faz por contraste; da luta dos contrários nasce a mais bela harmonia!”

Heráclito de Éfeso - Fragmento 08



Angélica Martins!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O pedinte emocional

À espera de migalhas de carinho, afeto e atenção dos outros nos tornamos mendigos emocionais. Nos colocamos em diversas situações deploráveis, como num relacionamento onde damos muito mais do que recebemos em troca de uma sombra ao nosso lado. Essa pessoa que está ao nosso lado, só está de fato conosco quando estamos dando o que ela quer e, na medida em que ela se abastece do que precisa, nós perdemos a utilidade e ela se vai.

Como diz o psicanalista e escritor Dr. Flávio Gikovate, uma pessoa só exerce poder sobre outra quando esperamos algo dela. Ora, o que podemos esperar de um relacionamento onde nos doamos por inteiro e recebemos mínimas frações? O que podemos esperar de uma pessoa que só pensa em si e não deixa espaço para nós em suas vidas? Por que insistimos nesse tipo de relacionamento que só nos traz dor e sofrimento?

Será que em nosso íntimo temos a nítida impressão que vamos reverter esse quadro com a força do nosso amor?

Para que isso aconteça, caso venha acontecer, será necessário abrir mão de nossas próprias vidas para viver integralmente a vida do outro. Teremos que fazer muito esforço e por vezes nos sacrificarmos para agradá-lo, em troca de um carinho de vez em quando ou um sorriso de agradecimento, caso ele vir. Pois tudo são possibilidades. Podemos investir nosso tempo, energia e amor e não alcançarmos o nosso almejado objetivo, que é a atenção do outro. Não temos o poder de adivinhar o que o outro quer e mesmo que tenhamos, e nós? Ficaremos como nessa situação? O que sobra para nós? Eu respondo. Sobram as migalhas. E elas vem acompanhadas de pura insatisfação. Porque queremos mais e no fundo sentimos que merecemos e podemos mais. Mas estamos tão acostumados com os restos que ganhamos dos outros que relutamos em abandoná-los e ir em busca de algo melhor.

Diante de uma situação tão degradante e sofrida precisamos nos questionar, pois não estamos satisfeitos e sabemos disso, pois sentimos. Nossa alma grita por liberdade, por reconhecimento, por amor-próprio! O que ganhamos com esse relacionamento? Qual a importância disso em nossas vidas? Todo relacionamento precisa de troca, de reciprocidade. Os relacionamentos são uma via de mão dupla. Damoas amor, carinho e atenção e queremos e devemos receber em troca. Queremos e precisamos ser correspondidos à altura.

Tudo isso que foi citado acima sobre a reciprocidade do relacionamento não faz sentido na vida de um mendigo emocional, pois ele não acredita no seu poder de transformar a sua própria vida e condição. Ele supõe que se falar um "não" ao outro, se começar a se amar e melhorar a sua auto estima se bastando e se preservando emocionalmente, o outro irá embora da sua vida. O mendigo emocional "acha" que estará perdendo com essa situação. Não, nós não perderemos absolutamente nada com isso. Não será uma perda e sim um ganho. Ganharemos tempo, energia, paz, saúde e poderemos investir todo o nosso amor em nós mesmos!

Paremos de mendigar afeto, paremos de procrastinar a nossa independência emocional e vamos seguir rumo a nossa saúde física , mental e emocional.

Isso é possível, basta começar!


Michelle Mendes

terça-feira, 28 de junho de 2011

A salvação não vem...

Tem dias que o nosso coração dói e a tristeza se torna uma companheira fiel. Podemos gritar, chorar, implorar e até adoecer que ninguém irá nos enxergar. É como se fôssemos invisíveis, como se vivêssemos num mundo à parte, onde somente nós existíssimos. Tudo acontece, mas ninguém nos vê, ninguém nos percebe, ninguém nos ouve, ninguém nos senti. A vida segue seu fluxo natural e nós permanecemos ali, como se tivêssemos numa cabine onde o tempo tivesse sido congelado.

Vemos tudo acontecendo e não fazemos absolutamente nada para mudar a nossa realidade e insatisfação perante esse quadro angustiante. Ficamos esperando alguém vir nos salvar... Mas ninguém virá nos salvar, e se vier alguém, não será a pessoa que queremos. O ser humano é subjetivo. Esperamos a salvação de uma pessoa específica , "tem que ser aquela pessoa". Sinto informar, ela é a que menos se importa conosco. Mas nós não morreremos por esse motivo, podemos morrer por inanição e outros tantos fatores... desprezo, descaso ou indiferença não é causa de morte e também não atesta óbito.

Às vezes passamos uma vida inteira dentro dessa cabine aguardando uma mão para nos salvar... sabemos que esse dia pode não chegar e ao invés de sairmos de lá, nós permanecemos, não conseguimos sair. Por mais que tentemos por diversas vezes... A vida passa e nós ficamos lá, imóveis. E essa escolha é nossa, logo a consequência também será nossa. Afinal a nossa vida é individual, pelo menos deveria ser. Ninguém irá viver ou morrer por nós, por mais que alguns ou muitos digam isso e até nós mesmos. Isso é apenas falácia!

Somos nós que precisamos nos importar com nós mesmos e viver a nossa própria vida de maneira singular. Mas como aplicar isso se, desde quando nascemos aprendemos a viver a vida dos outros?
Aprendemos que ser egoísta, no sentido de nos cuidarmos, é feio. E quando começamos a
nos apropriarmos de nós mesmos e vivermos a nossa vida, sem a pretensão de agradarmos ao outros, somos apontados, criticados. Para eles, os outros, nos tornamos pessoas frias e até egocêntricas.

Nesse momento não sabemos mais como devemos agir, pois quanto mais se caminha para a evolução mais estaremos sozinhos. E não gostamos da solidão. Achamos que quem vive sozinho é triste, mal sucedido, desagradável. Preferimos estarmos mal acompanhados em vez de sozinhos! Assim voltamos a cabine e o sofrimento recomeça. As pessoas não irão parar as suas vidas para nos salvar e quando nos veem progredindo fazem de tudo para travar a nossa evolução. Essa é a dinâmica dos relacionamentos doentes. Seja bem vindo!

O ser humano está fadado ao sofrimento a partir do momento que lhe foi imposto se relacionar com os outros de forma doentia.

Michelle Mendes

SEJAM BEM VINDOS!

Muito bem vindos ao nosso blog!
Meu, Michelle Mendes e de Angélica Martins.

Nosso intuito é nos desenvolvermos melhor e "desenvolver-se é pregorrativa dos seres humanos. Somente alguns reivindicam esse direito. Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão."
(Osho - O Livro da Cura)

Sigam conosco nessa imensa descoberta e mais uma vez sejam bem vindos!



Michelle Mendes

O primeiro passo...

“Uma longa caminhada começa pelo primeiro passo.”
Provérbio Chinês

O primeiro passo em busca de um objetivo é sempre estranho e, por vezes, parece ser doloroso. A inércia parece ser confortável, parece nos fazer bem. Quando damos o primeiro passo até mesmo pensamos em desistir, pois julgamos que o caminho é demasiado longo e não iremos conseguir finalizá-lo. Para afirmar este desejo de desistência outras pessoas nos dizem que não iremos conseguir ou são indiferentes aos nossos objetivos. Isto nos desanima ainda mais. Porém, nestes momentos devemos nos lembrar a importância do nosso objetivo e que este caminho é necessário, não pela dor, mas pelo resultado que desejamos. Assim se inicia este blog.
Pensando em nossa busca pelo conhecimento do mundo e sobre nós mesmas, eu e a Michelle criamos este blog para relatar aquilo que vemos, pensamos e sentimos em nosso dia a dia. Coisas que, certamente, não ocorrem apenas com nós duas, mas também com aqueles que buscam se conhecer profundamente e se compreender de fato. Neste blog trataremos de assuntos do cotidiano sob os pontos de vista da Psicologia e da Filosofia. Deste modo, damos maior embasamento para o que queremos relatar.
Enfim, este é o primeiro e pequeno passo de nossa caminhada para nos conhecer e expor aquilo que percebemos e pensamos. Esperamos conquistar nossos objetivos, amadurecer e, se possível, auxiliar aqueles que estão em busca destes mesmos objetivos.

Bem vindos!


Angélica Martins!