quarta-feira, 27 de julho de 2011

A ANGÚSTIA DE “SER” HUMANO


Como podemos nos fazer humanos num mundo onde o exercício da humanidade sempre fica em segundo plano?

Vivemos num constante paradoxo: precisamos desenvolver individualidade, vivendo em coletividade. E nesse instante surge a angústia. E o que significa a angústia? Do latim angustia, significa aperto, constrição; de anguere, apertar, sufocar. Para os filósofos existencialistas, a angústia é uma experiência metafísica , através do qual o homem toma consciência do ser. Em síntese, angústia é desespero. E o homem só sai do desespero quando orientando-se para si próprio, querendo ser ele próprio.

Também podemos dizer que a angústia significa decisão. Quando nos sentimos angustiados, precisamos nos decidir sobre alguma coisa. Estamos diante de dois caminhos e não sabemos qual seguir. A partir do momento que nos decidimos, a angústia se dissipa.

Para Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês, a verdadeira existência humana precisa ser singular. Somente o singular humano tem consciência da sua singularidade, pois o pensar é doloroso e é uma forma de provocar a angústia. Como ser eu vivendo em coletividade? Em consequência disso a verdade é subjetiva e bem longe de ser a “adequação da mente com a coisa” é a adequação do objeto com a nossa subjetividade, com as mais profundas exigências do indivíduo que somos e queremos ser. Kierkegaard define essa angústia como “síncope da liberdade”. Assim, liberdade e angústia se unem na existência. O homem é livre, em sua vida, para optar e escolher. No entanto, não há opção sem angústia. Ao escolhermos deixamos de lado outras coisas sem ter certeza de que essa escolha foi a melhor ou será bem sucedida. É um salto no escuro. Não podemos ter certeza a priori de que a escolha é boa, como citei acima. Mas essa escolha não é feita arbitrariamente. Ela deve ser motivada pela busca da verdade.

O existir autêntico supõe compromisso e risco. Na nossa vida concreta buscamos uma verdade vivida, e essa vai expressar-se em nosso comportamento cotidiano. Por isso a verdade é fruto da ação e não de um pensamento teórico, segundo Kierkegaard. A angústia existencial não nos leva à solidão, ao individualismo, à incomunicabilidade. Esse existir autêntico nos faz buscar o singular, mas não ocorre sem dor. Ninguém é ele mesmo sem antes querer sê-lo em sua liberdade. Daí a angústia, porque ninguém pode fugir a esse sentimento que acompanha toda escolha.

Se tratando do desenvolvimento humano sobre sua individualidade, acabamos nos perdendo. Não sabemos discernir até onde vai a nossa singularidade diante da coletividade que vivemos. Pois, precisamos nos relacionar com as necessidades e vontades dos outros, sem esquecermos das nossas. Quando estamos diante de uma situação, em que precisamos discernir entre as nossas vontades e as dos outros é que nos sentimos angustiados. Como vamos saber até onde podemos ir sem desrespeitar o outro? Exemplifiquemos: duas pessoas que estão com fome e tem somente um pão. Se não repartimos o pão com a outra pessoa, estaremos sendo egoístas. Se oferecemos o pão ao outro e ficamos com fome, estaremos sendo generosos. Será a melhor forma de solucionarmos esse problema? Acredito que não. O ideal seria dividir o pão, e ambos saciariam a sua fome.

Esse exemplo citado acima é um tanto simples. Mas se levarmos e inserirmos no âmbito dos relacionamentos interpessoais, a arte de se relacionar ficaria bem melhor.

Por diversas vezes nos angustiamos, pois, não sabemos se devemos ou não agir de certa forma com as pessoas que nos relacionamos e que amamos. Acabamos nos perdendo. Porque ou nos doamos demais ou não nos doamos. Egoístas versus generosos.
Volto a dizer que, o ideal seria dividir esse amor, como o exemplo do pão. Para que fique mais claro, citarei uma parábola de Jesus onde ele diz o seguinte: “Amai-vos uns aos outros como a si mesmo”. Ou seja, para amarmos outra pessoa é necessário que nos amemos primeiro, para posteriormente amar o próximo. Mas infelizmente fazemos o contrário. Amamos primeiro os outros , para assim sermos amados e nos amarmos.

Jogamos a responsabilidade de nossas vidas nas mãos dos outros e assim elas podem fazer conosco o que quiserem. Viramos presas fáceis. E nesse momento é instaurada a angústia de ser humano. Ficamos divididos e logo angustiados, pois não sabemos como agir com os demais. Não sabemos onde começa a nossa singularidade e termina a do outro. Desrespeitamos a nossa individualidade em prol da coletividade.

E não existe outra coisa para o fracasso humano senão a falta de fé do homem em seu verdadeiro ser.


Michelle Mendes

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Amigos... Até certo ponto!

Uma vez ouvi o Tom Zé dizer em uma entrevista que quando um amigo está no olho do furação não devemos ir até lá e resgatá-lo, pois se ele está lá é sinal que de certo forma ele escolheu estar lá. No momento que ouvi isso não concordei. Afinal, que tipo de amizade era essa que deixava o amigo na pior hora? Ainda hoje não concordo. Estar ao lado dos amigos é muito importante, tanto para ensinar quanto para aprender. Mas em partes concordo com Tom Zé... Quando estamos em uma situação complicada, triste e até mesmo desesperadora não é preciso de mais ninguém além de nós mesmos. É isso mesmo, podemos resolver tudo por nós mesmos. Precisamos tomar consciência do que acontece e porque acontece. Principalmente os sentimentos. É ótimo ter com quem partilhar nossa dor, mas existe uma grande diferença entre partilhar e validar dor e jogar dor para os outros cuidarem. A diferença está na apropriação de nossa vida. Quando nos apropriamos totalmente da nossa vida - e aí se encontram as responsabilidades, medos e desejos - conseguimos lidar e até mesmo superar a intransigente dor. Temos que dedicar especial atenção para os momentos em que queremos cuidar da dor do outro, isto é um sinal consistente de que não estamos cuidando de nós mesmos. Quero dizer com isso que ao validarmos a dor do outro estamos partilhando tal dor e é disso que precisamos... Precisamos saber que há pessoas tão maravilhosas ao nosso lado, partilhando momentos conosco. Não precisamos de pessoas que fazem tudo por nós e, deste modo, não temos a oportunidade de cuidar de nós mesmos. Como diria Nando Reis: 'Prefiro as pernas que me movimentam!'. É preciso levantar e enfrentar o que acontece no momento, desfrutando e saboreando. Não aprendemos apenas com o mel, mas com o fel também.


Angélica Martins.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

FALSOS MORALISTAS




O que é a moral?

Moral tem a ver com o "justo": é o conjunto de regras que fixam condições equitativas de convivência com respeito e liberdade. Na ética cada indivíduo possui e vive de acordo com a sua; moral é o que torna possível que as diversas éticas convivam entre si sem se violarem ou se sobreporem umas às outras. Por esse motivo, a moral prevalece sobre a ética.
No terreno da moral estão as noções de justiça, ação, intenção, responsabilidade, respeito, limites, dever e punição. A moral tem tudo a ver com a questão do exercício do direito de um até os limites que não violem os direitos do outro. Sem moral, a convivência é impossível!
Diz-se que quem age moralmente (por exemplo, não mentindo, não roubando, não matando, etc), faz o mínimo e não tem mérito, mas quem não age moralmente deixa de fazer o mínimo e tem responsabilidade (e por isso pode ser punido).
A palavra moral tem origem no latim - morus - significando os usos e costumes.
Moral é o conjunto das normas para o agir específico e concreto. A moral está contida nos códigos que tendem a regulamentar o agir das pessoas.

Segundo Augusto Comte (1798 - 1857),filósofo francês e fundador da sociologia e do positivismo, "a Moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas." Entendem-se por instintos simpáticos aqueles que aproximam o indivíduo dos outros.


Para Piaget (1896 - 1980), epistemólogo suíço e considerado o maior expoente do estudo do desenvolvimento cognitivo, toda moral é um sistema de regras e a essência de toda a moralidade consiste no respeito que o indivíduo sente por tais regras.



Entendendo o que é a moral, como podemos aplicá-la em nosso dia a dia? Será que todos nós agimos moralmente? E o que é a falsa moral?

Falaremos brevemente das pessoas que defendem a moral e na verdade não passam de falsos moralistas. São pessoas que fingem não gostar de certas coisas, mas no fundo não tem coragem e ousadia de ser o que são. E por não terem coragem de gritar ao mundo e mostrar ao que vieram, criticam e apontam quem o faz. Eles se escondem atrás de suas caras de "bons moços", pois não suportam se olhar peladinhos na frente do espelho.
Usam quilos de maquiagem, roupas de grife, fazem lipoaspiração para esconderem suas imperfeições, como se desvio de caráter e falta de boa índole pudessem ser mascarados com artifícios materiais.

Outros se escondem atrás de sua religião, dizem que amam o próximo e são os primeiros à discriminá-los, pois a sua convicção os cega e os coloca acima dos demais, que são tão humanos quanto eles. Mas para os falsos moralistas isso é impossível! Eles não podem equiparar-se aos outros. Vestidos com o seu orgulho e maquiados com o seu verniz social, eles olham para as outras pessoas de cima. Quando se deparam com outras pessoas que não se enquadra nos seus preceitos perfeccionistas, eles erguem o queixo e exalam: "Reles mortais!", como se fossem deuses.


Será que, os falsos moralistas, conseguem sustentar suas máscaras por muito tempo? Porque como diz o velho ditado: "Um dia a máscara cai!". Deve ser um enorme gasto de energia para dissimular o que não se é o tempo todo. Será orgulho? Prepotência? E se retirarmos o orgulho de um falso moralista? O que acontecerá? Às vezes um defeito (orgulho) é o alicerce que sustenta o edifício inteiro. O orgulho não é de todo ruim, e não pode ser classificado apenas como defeito; ele pode e deve ser usado para o nosso bem e para o bem de todos que estão à nossa volta. Não podemos usar o nosso orgulho para "acharmos" que somos melhores ou piores do que os outros. Pois o orgulho têm o poder de nos levar do lixo ao luxo. Ora me sinto o melhor dos seres humanos, ora me sinto o pior. O ideal é nos equipararmos às outras pessoas. Nem melhor, nem pior, apenas igual. Respeitando as diferenças de cada um. Pois quando falamos da raça humana, somos sim todos iguais e temos os mesmos direitos e deveres.


Os falsos moralistas precisam parar de apontar o dedo aos outros e olhar para dentro de si. E assim, quem sabe, perceberem que o que eles apontam e criticam nos outros, estão dentro deles. Pois ao criticarmos, precisamos ter em nós para poder reconhecer àquilo nos outros. Para eles admitir isso, deve ser uma imensa dificuldade, mas ao exercitarmos, a vida se torna mais leve. Começaremos a nos responsabilizarmos pelos nossos defeitos e qualidades; olhando para dentro de nós e reconhecendo e assumindo o que somos de fato. Assim aprenderemos a nos amar integralmente. Afinal, ninguém é perfeito!


Como citou Jesus Cristo em uma de suas parábolas: "Que atire a primeira pedra quem nunca errou!"



Se ele mesmo não reconhecia a sua própria perfeição, quem nesse universo o será?


Michelle Mendes

sábado, 2 de julho de 2011

AMORES INTERESSADOS


Qual a base da maioria dos relacionamentos que vemos em nosso dia a dia? O que faz com que fiquemos com certas pessoas ao nosso lado se nos sentimos infelizes? E mais, por que as mesmas permanecem ao nosso lado? A resposta é simples: vantagens! Por mais que doa admitirmos isso é a pura realidade. A maioria dos relacionamentos são baseados em vantagens, e não somente em amor como pensa e divulga o senso comum. Ninguém se relaciona por apenas gostar. O amor tão divulgado pela mídia através de diversos meios de comunicação é o amor pathos e a sua definição é a dependência emocional.


Nesse tipo de relação, uma pessoa responsabiliza a outra pelo seu bem estar, na visão do psicanalista e escritor Dr. Flávio Gikovate.


Mas quais os tipos de vantagens em se relacionar com as pessoas? Todos os tipos. Desde uma pessoa para pagar o nosso aluguel, até uma mulher gostosa para desfilar e mostrar aos amigos. A maioria dos relacionamentos entre casais que vemos e até apreciamos são baseados em vantagens. Quando se termina esse tipo de relação , o outro dificilmente sentirá a nossa falta. Ele sentirá falta daquilo que proporcionávamos a ele, àquilo que os fazíamos sentir. E a partir do momento que uma outra pessoa suscitar o mesmo sentimento nesse outro, a saudade que ele estava sentindo por nós se acaba e a memória da coisas que vivenciamos se esvai.



Esse tipo de relacionamento é utilitarista, que visa apenas um interesse particular. Fazemos algo apenas se recebermos em troca. É uma relação pesada, vigiada. E o gostoso do amor fica aonde? Aquele relacionamento onde nos sentimos leves, melhores? Todo relacionamento não é mais do que uma negociação com regras - queremos amor, sexo, amizade e uma pessoa para cuidarmos e sermos cuidados. Precisa de troca. E essa troca precisa ser justa, ambos precisam estar em comum acordo. E esperar em troca é dar a mão para o outro estando de pé, inteiro; para assim podermos caminharmos em uníssono e, soltar, caso supormos que o outro não nos sustentará se precisarmos da sua ajuda.



Não devemos esperar que o outro nos devolva algo por obrigação. Não devemos exigir em troca como se fosse necessário ou indispensável as nossas vidas. Precisa ser espontâneo, gratuito, do coração, de verdade. Um relacionamento entre iguais, entre inteiros. Onde ambas as partes se amam e sabem se amar. Se respeitando e estando em comum acordo para compartilharem as coisas boas e ruins de suas vidas.



Isso existe, acredite e vá em busca!

Se baste!

Sentir-se importante é uma das maiores necessidades da natureza humana.


Michelle Mendes